100 anos de Petrônio Rezende


Petrônio Dantas de Rezende, filho do engenheiro Julio de Mello Rezende e Beatriz Dantas de Rezende, nasceu em 18 de outubro de 2019. Teve como irmãos: Eunice (Nisinha), Lucia, Silvia e Fernando, o único irmão homem. Nasceu em Natal.
Após a Revolução de 30, Julio de Mello Rezende é perseguido politicamente e aposentado contra a sua vontade. Vai também toda a família, morando nas cidades de Paraíba do Sul e Rio de Janeiro. No final da década de 30 a família retorna para Natal.
Em 15 de junho de 1939 ocorre algo muito desagradável: o falecimento do pai Julio de Mello Rezende, em uma sala de aula da Escola Rui Barbosa. Tal evento foi marcante para a família, pois Petrônio, como o filho homem mais velho assumiu o papel de maior responsabilidade.
            Desde então enumero vários fatos importantes na história de Petrônio Dantas de Rezende, a partir dos seus jovens 20 anos.
1939 e 1940 – Realiza  levantamentos cartográficos de vários munícipios do Rio Grande do Norte para o Conselho Nacional de Geografia, hoje Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
1941 – trabalhou no Serviço de Economia Rural do Ministério da Agricultura em São Paulo como Auxiliar de tesoureiro. Recebeu excelente avaliação dessa atividade.
1942 – atuou como auxiliar-técnico-desenhista da Diretoria de Obras da Prefeitura de Natal.
De 1942 a setembro de 1945 trabalhou para o Escritório Saturnino de Brito, o que viria a ser a CAERN, colaborando com relevante atuação técnica.
Em 20 de outubro de 1945 ingressa no Banco do Brasil, onde trabalharia até a aposentadoria.
Estudou contabilidade na Escola Técnica de Comércio Amaro Cavalcanti no Largo do Machado no Rio de Janeiro no período de 1951-1953.
Em 1955, Petrônio ingressou em Economia na Faculdade Nacional de Ciências Econômicas (FNCE), o primeiro curso de graduação em ciências econômicas independente no Brasil, faculdade que posteriormente foi incorporada ao Instituto de Economia da UFRJ. Concluiu o curso no final de 1958, com formatura em 1959. Se na sua época existisse o curso de administração, teria sido administrador, profissão só regulamentada em 1965. 
Atuou como professor da Faculdade de Economia, hoje UFRN, havendo muitos dos seus alunos que ainda hoje reconhecem as contribuições do professor Petrônio. Na época acumulou a Faculdade de Economia e o Banco do Brasil. Com responsabilidade pediu exoneração da Faculdade e dedicou-se ao Banco.
No Banco ocupou muitos postos e funções. Participou também da criação da Associação Atlética Banco do Brasil - AABB no RN, sendo sócio fundador e um dos primeiros presidentes.
Possuía grande interesse pela fotografia, tendo sido fotografo da obras de historiadores potiguares como Olavo Medeiros e Osvaldo Lamartine. Fotografou muitos amigos, sendo suas fotos importantes recordações de muitas famílias. Fez parte da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, chegando a ser diretor do Fotocine Clube do Rio Grande do Norte.
Petrônio gostava também de viajar no Rio Grande do Norte. Fez muitas viagens com Joaquim Pereira e Olavo Medeiros pelo sertão do RN, em especial o Seridó. Em uma dessas viagens conheceu Salete, na Algodoeira São Miguel na BR 304, que viria a se tornar sua esposa. 
O casamento aconteceu em dezembro de 1972.  Morou inicialmente com sua família na Rua Desembargador Hemetério Fernandes em Tirol.
Aposentou-se por tempo de serviço no fim de 1975. Em variadas cartas de recomendação que recebeu, todas destacavam conduta irrepreensível e honestidade.
Seu primeiro filho, Julio Francisco Dantas de Rezende, nasceu em 14 janeiro de 1974, e o caçula, José Augusto Dantas de Rezende, em 9 junho de 1975.
Caseiro, acompanhou de modo muito próximo a sua família. Quando Petrônio Rezende formou a sua família, planejou um bom lar, tendo enquanto maior recinto uma grande biblioteca pessoal. Morou na Avenida Xavier da Silveira, 1841, de 1980 a 2004.
Sua biblioteca motivou seus filhos a se interessarem pela leitura, estudo e escrita. Observá-lo em sua biblioteca e sua a dedicação ao estudo serviu como referência para seus filhos continuarem estudando.  Eram livros fantásticos que apresentavam o quão é inestimável é o conhecimento. Uma boa biblioteca pode influenciar pessoas de modo irreversível, sendo fonte de novas visões.
Em 1980 assumiu a condição de curador da mãe, Beatriz. A mãe faleceu em 5 de março de 1981. Adoeceu em 1999. Durante 4 anos foi acompanhado de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e o apoio da família. Na sua casa na Xavier da Silveira foi montado uma equipe de homecare.
Quando saudável, dedicou-se profundamente a atividades assistenciais na Igreja Católica, realizando a contabilidade de modo voluntário da Paróquia de Candelária; contribuindo para entidades assistenciais como a Sociedade São Vicente de Paulo; sendo dizimista na paróquia de Morro Branco, na Casa da Criança e Casa dos Padre. Contribuiu também para importantes obras da igreja como a Nova Catedral no centro de Natal.
Faleceu em 3 de maio de 2004 deixando um legado de amor e desapego. 
Em outubro de 2019 celebramos a memória de Petrônio Dantas de Rezende. Uma boa forma de lembrar seu nome foi convidar familiares e amigos para uma missa de celebração do centenário de nascimento e a inauguração de uma biblioteca na estação de pesquisa Habitat Marte. 
A pequena biblioteca no Habitat Marte servirá de fonte de informação e criatividade para o surgimento de várias novas ideias voltadas ao espaço e o semiárido.
No momento que se comemora o centenário de nascimento de Petrônio Rezende, vê-se  um tempo de boa lembrança e de celebrar os frutos de seu legado.
Em 13 de outubro de 2019, em Caiçara do Rio do Vento, fica o registro  de amor, recordação, gratidão e carinho.
De modo a celebrar sua memória imaginamos a realização deste evento. Observando o testemunho de Petrônio, estando no sertão, refletimos sobre o renascimento, sobre o fortalecimento de novos valores e de sermos novas pessoas.
A família agradece o interesse de todos os interessados na homenagem e reconhecimento à Petrônio Rezende. Que seu exemplo reforce em nós o que há de bom e positivo.

Julio Francisco Dantas de Rezende

Comentários